UM GOLE DO UNIVERSO

em crônicas

Em 2016 coloquei como uma das metas do ano "Aprender a fazer um bom nhoque", mas foi só no final de 2018 que finalmente fiz um nhoque com cara e sabor de nhoque. Um prato que eu pensei "Eu pagaria por isso em um restaurante. Não pagaria muito caro, mas pagaria". E considerando meus talentos gastronômicos, pra mim isso foi uma baita conquista, que só foi possível porque eu me empenhei muito mais do que nos anos anteriores. Em um mês eu fiz mais nhoques (e tentativas de nhoques) do que a soma de todas as tentativas dos dois anos anteriores. Eu aprendi empiricamente que a repetição constante é um importante hábito para aprendermos a fazer algo que exige técnica, tal como escrever... Que é uma das minhas metas de 2019 :)

  • Karen Harumi

A parábola do Plástico, do Vidro e do Alumínio

Você já leu sobre a parábola do Plástico, do Vidro e do Alumínio?


Provavelmente não porque estou escrevendo ela agora (exceto, claro se você já leu isso antes). E eu juro que essa pergunta aparentemente sem sentido tem um propósito: mostrar que o tempo pode transformar um "não" em um "sim".


E a parábola é assim...


Você já guardou alguma vez na sua vida alguma comida em potes de plásticos, vidros ou alumínios na geladeira? Caso sim e se isso for recorrente, por empirismo você deve ter notado que cebola, molhos, beterrabas, frangos assados e coisas muito pigmentadas e gordurosas não são boas de serem guardadas em plásticos, tanto quanto em vidros e alumínios.


Isso porque o Plástico possui várias qualidades...


É acessível, flexível, leve, resiliente, pode ter a cor e a forma que quisermos, se fosse um funcionário seria o sonho do mundo corporativo, e ainda por cima é quase inquebrantável!


...Mas infelizmente a longo prazo, exatamente por todas essas qualidades, ele absorve cheiro, cor e textura com muita facilidade. E convenhamos, a melhor qualidade dos Plásticos é que são baratos, acessíveis. Qualquer loja de R$ 1,99 tem. Ficou feio e fedido, é só jogar fora! Certo?


"NÃÃÃO", diria a minha mãe. Que complementaria falando que um Plástico de qualidade, bem guardado, bem cuidado, usado de maneira correta, pode durar uma vida inteira e ainda te mostraria um Tupperware que é mais velho do que eu.


E é meio isso mesmo.


Se você utiliza o Plástico de modo irresponsável, porque é barato e facilmente substituível... Você é o empregador abusivo sugando o Plástico que só está tentando te servir da melhor maneira, mas não tem suas qualidades reconhecidas e ainda usadas contra si como defeito porque VOCÊ não soube aproveitá-lo bem e reconhecer quantas vezes ele lhe foi útil E BARATO.


(Desculpa o tom de revolta).


E minha mãe teria razão (só não tem porque não disse nada, nem sabe que estou escrevendo isso): é muito triste que a gente utilize as qualidades do Plástico para descartá-lo. Literalmente. O Plástico vai chorar? Não vai. Eu espero, né. Mas fazemos isso com pessoas também.


A parábola está ficando clara? Não é bem o meu forte.


E aí tem o Vidro. Que negócio lindo, né? Sempre achei o Vidro fascinante. AMO VIDROS. Considero água em sua forma sólida, mais do que gelo. O vidro é forte, resistente, firme, tem uma boa variação de cores e texturas, sempre novo mesmo quando velho - sem botox! É SURREAL! Já assistiram "Envidrados" (Blown Away)? Tem na Netflix. Um dos meus realities shows favoritos. Vidros são mágicos. Só possuem dois poréns:


São caros e quebrantáveis.

Não é maluco isso?

O vidro me ensina que mesmo os mais fortes, também podem ser frágeis.

Ser caro não é ser perfeito, e às vezes seu maior defeito nem é o preço.


E aí você, cozinheiro de mão errada que fez mais do que precisava, ou cozinheiro planejado que fez pensando nos dias seguintes, pode se perguntar:

Poxa, que droga. Com o quê vou guardar a minha gordurosa lasanha de beterraba (eca, será que isso existe??)? Não há nada no mundo que seja inquebrantável e forte?


Claro que existe! O Alumínio.

Resistente, durável, textura impermeável, não passa nada, nem cor direito. É o que sempre foi não importa quanto tempo passe.

O elemente metálico mais abundante da crosta terrestre...  Barato, fácil de encontrar. O proletário que ninguém vê.

Contudo podem te contaminar a longo prazo, não são indicados para guardar nada comestível por horas ou dias. A contaminação não vem da má intenção, mas do fato que seu forte é produzir, cozinhar, criar e não guardar.


E é isso. A intenção era só explicar (pra mim mesma principalmente) que se não conseguimos nem encontrar o material perfeito pra guardar uma simples cebola cortada ou um molho suculento, não é você a pessoa que será perfeita para as expectativas criadas sobre o seu trabalho, sua vaga ou sua função.


Somos todos vasilhames esperando ser usados da melhor forma pela sociedade. Torcendo pra que alguém um dia nos olhe e pense...

"EPA! Isso aqui é plástico! Não vou jogar água fervendo torcendo pra não derreter e engruvinhar."

...ou "OPA! Olha um vidro aqui, vou tomar cuidado pra não deixar cair."

...ou "UPA! Olha se não é um alumínio, ótimo pra preparar e não para guardar!".


E isso se chama reconhecimento. E muito provavelmente a sociedade não lhe dê, mas anda assim é importante você ter. Não da parte deles, claro, mas da parte de você. Somos todos usados pela sociedade, mas geralmente não é da forma que queremos ser.


Não, você não foi feito pra suportar tudo. Mas sim, você tem qualidades e também limitações e você precisa reconhecê-las e respeitá-las. Porque no final você não é Plástico, Vidro ou Alumínio. Você é um ser humano, você pensa, você sente, você muda. E talvez não, não haja mesmo muita perspectiva de mudança agora, mas...


Você já leu sobre a parábola do Plástico, do Vidro e do Alumínio?




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Diego