Feliz Aniversário(s)!
- Karen Harumi

- 22 de mai.
- 6 min de leitura
Eu sou dessas que se eu puder, comemoro o meu aniversário o ano inteiro.
Claro que (infelizmente) nunca deu, mas por uma sequência de serendipidade, neste ano comemorei por todo um mês e enquanto eu tentava criar uma legenda sucinta para registrar isto no meu Instagram, eu percebi que na verdade eu queria escrever todo um textão como na época em que tudo me inspirava. Meus dedos começaram a digitar sozinhos como há anos não o faziam, lembrei da sensação de como é ter mais pensamentos que quero trasncrever do que minhas mãos conseguem escrever.
Começou com o ingresso pro Lollapaloza com o Kygo no grupo que eu nunca olho da Escola de Teatro do Wolf Maya, três dias antes do show, duas semanas antes do meu aniversário, bem do artista que eu mais ouvi desde 2015, segundo o Spotify! Uma moça X (que não era uma golpista disfarçada, amém) estava oferecendo os ingressos com o valor bem abaixo do custo porque precisou desistir com sua amiga. Longe de querer me alegrar com a desgraça alheia, me senti melhor em comemorar quando ela contou que estava igualmente feliz de conseguir revender mesmo em cima da hora.
Abri o grupo num clique acidental e apareceu exatamente a única mensagem que me interessaria entre +999 e isso já parecia destino e seria suficiente... Mas eu e minha irmã acabamos NA GRADE, coladas no palco, mesmo depois de irmos ao banheiro SEM FILA E COM PAPEL E SABÃO (um milagre por si só) e voltarmos cinco minutos antes do show do Kygo começar (obrigada por isto, Sabrina Carpenter)! Eu sei que que ele não é dos artistas mais conhecidos no Brasil e dividia o dia com a headliner mais popular do Lolla deste ano - mas realmente não esperava - e aí vivi duas alegrias distintas e complementares:
A 1ª eu já senti uma vez aqui e acolá: uma euforia por ser eu mesma, sabe? Quando você simplesmente só gosta de ser você? Pensa "que sorte eu ser eu", só isto, nada além. Você não quer ser mais ninguém no momento. Não sei se isso é comum para os outros, talvez para os bem resolvidos, seguros de si - mas eu particularmente sempre quero ser outra pessoa, na aparência, nas decisões, nas características, na personalidade, nas responsabilidades, e principalmente nos gostos. Tem dias que sinto que tudo em mim está deslocado - hoje, por exemplo, é um desses dias, então é até paradoxal tentar lembrar dessa alegria intensa em só ser eu... Karen Harumi, que gosta bastante justo do Kygo, um artista meio desconhecido, mas conhecido o suficiente para ser convidado ao Lolla e só por isso pude viver aquele momento. Pensei em tudo que me levou até ali e me senti muito grata.
A 2ª eu sinto em vários momentos, mas de diferentes formas: a alegria de sentir fisicamente o amor de uma pessoa, quase como se o sentimento se materializasse! Ai! Dá um arrepio, é como se o sentimento se transformasse numa lufada de ar, num vento que mesmo sem corpo, sentimos nos tocar mais do que tanta coisa concreta. É mais fácil sentir num abraço, em um presente ou comida feita para nós, e dessa vez eu senti no sorriso da minha irmã.
No show, eu pulava antes do drop, tudo me dava vontade de bater cabelo, chorar, girar, expor a euforia que eu sentia só de ali estar e então num dos meus rodopios eu vi a minha irmã de relance, parecia que estava cochilando em pé, e sim, isso é muito possível, porque eu mesma já o fiz. Seus olhos abriam e fechavam em câmera lenta, o corpo firme como uma árvore, a única pessoa parada ali no meio.
Num segundo rodopio eu a vi me olhar... E a sua expressão mudou, ela sorriu com os olhos, o corpo se mexeu, e foi no terceiro rodopio que os nossos olhos se cruzaram e o sorriso dela aumentou. Não falamos nada, mas eu me arrepiei e de alguma forma talvez bem ilusionada eu só sabia que ela estava feliz em me ver feliz... O seu sorriso me aqueceu, literalmente. Poderia ter sido o fogo da apresentação que estava logo à frente, mas eu tenho certeza que foi o sentimento de me sentir muito amada, em estar ali com a minha irmã, que parecia tão feliz só de me ver feliz. Não é essa uma das formas mais genuínas de amar?
Na volta, perguntei e ela confirmou, mas não fez grande caso, disse que frequentemente se sente assim, eu é que não percebo. "Você só percebeu agora? Eu sempre fico muito feliz em te ver feliz!" E eu sei, mas naquele momento eu também senti, fisicamente, e foi mágico.

Pois bem, dois dias depois ela me presentou o musical da Tina Turner com lugares (selecionados pelo Acaso, ou como eu prefiro acreditar, Destino) no meio da primeira fileira, com vinho, vista privilegiada e eu me acabando de berrar em What's love got to do with it. Toda uma sincronicidade cósmica que vivenciamos novamente juntas e até hoje quando ela conta deste dia enfatiza que conseguíamos até sentir o perfume da atriz principal de tão perto que estávamos!
Na semana seguinte vieram os ingressos de última hora pro show do Alceu Valença e lá estávamos eu e a Ruiva, a amiga mais presente na minha vida nos últimos dias. Rimos, choramos e vivemos mais um dia mágico. Ela brilhava junto com os holofotes, depois de meses trazendo uma certa melancolia que usava para se apagar, já que não queria ser vista pelo mundo; então foi muito bonito estar lá vendo-a voltar a reluzir. É tão bom ver quem amamos radiante só por estar tão feliz! Ela sempre foi linda, mas ali irradiava aquela beleza que só é possível ser vista pelas pessoas que nos amam, sabe? E por isso mesmo tive a certeza do quanto aprendi a amar. Todo mundo tem essa beleza só visível aos olhos daqueles que os amam e a dela estava no ápice neste momento (e para o infortúnio dos demais, só eu pude admirar). Fazia muito tempo que não a via assim, se é que algum dia realmente eu a tenha visto assim; honestamente não me lembro, talvez tenha sido o seu primeiro sorriso sincero que eu reconheci. Eu, que numa amargura prolongada, ao contrário da minha irmã, fazia tempo que não ficava feliz em só ver alguém que amo feliz, tive a certeza que, sim, com certeza é uma das minhas formas mais genuínas de amar.
E então chegou o dia em que o universo finalmente me ouviu depois de eu tanto cantar bring me a higher love da Whtiney Houston com o Kygo até ficar rouca: a minha festa de aniversário! 🎉
Há tempos eu não me sentia tão querida e preenchida, contente por todos os abraços que recebi! Era pra ser só minha família, alguns amigos, umas cadeiras, comida e minha playlist de 48h, mas aí apareceram balões, presentes e até um bolo de palhaço dos anos 90 de abacaxi com coco!!!!!!!!! A Vanessinha, uma das minhas amigas mais antigas, que foi no meu primeiro aniversário de 14 anos estava ali, no de 37, com o bolo que sonhei quando eu tinha 9! Todo mundo ouvindo minha pensada combinação de metal, pop, j-rock, punk, forró, axé, eletrônico, sertanejo, e todo o resto que há no mundo. Comendo as carnes no ponto que preferia, bebendo o que queria, sorrindo enquanto passava o dia.
E no cinco de abril um almoço de família, um dia normal... se não fosse o paradoxo de que o nosso "normal" sempre envolve um pouco de caos, e a sua ausência sempre torna qualquer dia especial. Minha mãe, meu pai, minhas irmãs, meu cunhado e um ceviche que eu muito queria que fosse do meu dia-a-dia. Muito parecido com a Família Doriana que parecia tão impossível na minha infância com a minha mãe trabalhando até de madrugada no hospital de Lorena e o meu pai nas fábricas do Japão, só com menos manteiga e mais limão!
E deveria ter acabado... afinal a data em si passou - mas não é que a minha incrível irmã mais velha ainda tinha mais uma carta na manga com um convite vip para o show do The Weeknd no final de abril? Mais ceviches e um monte de espumante na área reservada, poder ir no banheiro no meio do show sem enfrentar multidões, e... a minha parte favorita: PODER COCHILAR NO SOFÁ NO MEIO DO SHOW e contar pra todo mundo que dormi com o The Weeknd cantando no meu ouvido hahahahaha E se eu cochilei mesmo? Não, infelizmente, não, porque no final eu também queria assistir - mas a minha irmã sim, ela estava com dor no pé e muito cansada porque tal qual no dia do show do Kygo, saímos direto dos nossos trabalhos e para nós, reles não influencers, viver esses momentos exige trabalhar até quase não ter psicológico para usufruir e achei muito chique e simbólico finalmente ela poder descansar, ali, sem ser em pé, como se fosse um tranquilo fim de semana.
Foram dias que me fizeram pensar que é muito bom quando uma pessoa fica feliz em ver a outra sorrir e isso é mútuo, o sorriso dura muito mais tempo e quase parece nunca acabar - mas acabou, e só agora consegui escrever e aqui está! ❤️

Todos os meus aniversários foram incríveis este ano e somente por todos que fazem questão em permanecer e abraçar ❤️ Então muito obrigada!!

OLHAAA! Minha linda mamis acabou de enviar que hoje é o dia do abraço hahaha obrigada em dobro pelos que fizeram questão de me abraçar ✨



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