UM GOLE DO UNIVERSO

em crônicas

Em 2016 coloquei como uma das metas do ano "Aprender a fazer um bom nhoque", mas foi só no final de 2018 que finalmente fiz um nhoque com cara e sabor de nhoque. Um prato que eu pensei "Eu pagaria por isso em um restaurante. Não pagaria muito caro, mas pagaria". E considerando meus talentos gastronômicos, pra mim isso foi uma baita conquista, que só foi possível porque eu me empenhei muito mais do que nos anos anteriores. Em um mês eu fiz mais nhoques (e tentativas de nhoques) do que a soma de todas as tentativas dos dois anos anteriores. Eu aprendi empiricamente que a repetição constante é um importante hábito para aprendermos a fazer algo que exige técnica, tal como escrever... Que é uma das minhas metas de 2019 :)

  • Karen Harumi

Walter Loja de Conveniência

Sonhos da Quarentena

pt. I


Algumas das horas mais emocionantes do meu dia tem sido dormir, não só porque sou ótima nisso, nem só porque os dias na pandemia são bem mortos, mas porque venho sonhando intensamente, vividamente, roteirizadamente e bizarramente me lembrando dos sonhos quase todo dia.


Claro, houveram dias que não me lembrei do sonho.


Houveram dias que me lembrei do sonho, mas eram bem aleatórios ou sem graça.


Contudo houveram dias que me lembrei a tal ponto que os sonhos se misturaram com a realidade consciente da minha versão acordada.


Já faz um tempo que isso vem acontecendo, mas eu sempre me sentia ocupada demais pra parar e pensar sobre isso. Eu sonho muito, muitas vezes e isso fez com que eu não desse muita bola entre as informações que eu estava priorizando na minha mente nos últimos meses.


Até que em Abril do inesquecível ano de 2020 eu encontrei um registro de um sonho que eu tive em Fevereiro de 2019.


Uma premonição teatral da quarentena que estamos vivendo agora.

Do momento que eu estou vivendo agora.


A solidão.


Não é uma sensação constante, não é nem mesmo frequente, mas é extremamente forte quando bate.


Eu passo a maior parte dos dias no meu quarto, sozinha, com a porta fechada, a janela semi-aberta pra uma rua (que deveria estar) vazia, dividindo a minha mente entre planilhas e alucinações de tempos em que eu vivia atrasada para ver os meus amigos, mas certa de que aconteceria.


E eu amo ver tantas árvores da janela.

Amo ver o céu.

Amo que consigo ver as estrelas quando deitada para dormir.

Mas cara, que saco não poder sair.


E o sonho, da sua prórpria forma, foi muito parecido.

Trouxe essa mesma sensação.

Essa coisa de solidão.

De me sentir presa.

De me sentir sozinha.

Essa coisa de incerteza.

A sensação de ter tudo o que quero e perceber que tudo o que realmente quero não é algo que dá parar possuir.


Então eu resolvi prestar mais atenção aos meus sonhos, já que essa é uma das poucas tendências mundiais que ando conseguindo acompanhar, a de estar com o inconsciente muito mais emocionante que o consciente nestes dias.


E não que eu ache que eu seja a mãe Dináh ou o Walter Mercado, mas foi bem esclarecedor relembrar que a quarentena mexe com um dos meus maiores pesadelos, literalmente.


E por isso mesmo nos próximos dias me comprometi a registrar aqui não só o sonho "premonitório" do ano passado, mas alguns dos meus sonhos desses últimos tempo. Um pouco pra me sentir socializando, mesmo em outro plano, e um bocado porque VAI QUE EU PREVEJO A CURA PRO CORONA, MAS ESQUEÇO DE ANOTAR, NÉ? Não custa sonhar...


Walter Mercado seria muita prepotência,

mas talvez eu tenha sido uma versão Walter Loja de Conveniência ou Walter Loja de R$1,99 do Interior, que você não encontra quase nada nesse valor!



Ligue Djá

0900 - 11 - SONO COM QUARENTENA



*Esse texto foi escrito e completamente esquecido de ser postado em Maio de 2020. Mas infelizmente segue válido para Fevereiro de 2021.

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